O recurso à lenha como fonte de aquecimento é uma prática ancestral, mas a versatilidade da biomassa permite utilizações que vão muito além do seu uso doméstico em lareiras, salamandras ou fogões, tendo-se tornado numa fonte significativa de energia renovável em Portugal.
A produção anual de energia renovável nacional revela um notável contributo da biomassa: 56% do total produzido em 2017, de acordo com as estatísticas rápidas sobre renováveis, da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), publicadas em setembro de 2019.
A importância estratégica da biomassa nas Fontes de Energia Renovável (FER) – que englobam, além da biomassa, hidroeléctrica, eólica, solar, geotérmica e biocombustíveis – tem sido uma constante ao longo dos últimos anos.
Desde 2010 que a biomassa tem assegurado mais de metade da produção de energia renovável em Portugal e, neste intervalo de tempo, o auge foi alcançado em 2012, quando a biomassa contribuiu para 60,1% do total. Depois de uma queda para os 50,8% em 2013, a tendência voltou a ser de subida entre 2015 e 2017.
Em 2016 e 2017, aproximadamente 57% da biomassa foi utilizada para transformação em centrais termoelétricas com ou sem cogeração, 34% foi utilizada diretamente para a produção de calor, maioritariamente no sector residencial, e os restantes 9% foram exportados sob a forma de pellets e briquetes, revela a ADENE – Agência para a Energia.
A maioria da energia proveniente de biomassa resulta de matérias-primas florestais: resíduos vegetais e florestais, licores sulfítivos gerados no processo produtivo da indústria de papel e celulose, pellets e briquetes.
Este contributo é essencial para apoiar as metas da diretiva comunitária 2009/28/CE, que fixou para Portugal o objetivo de incorporar 31% de Fontes de Energia Renováveis (FER) no consumo final bruto de energia, até 2020.
Em 2017, o peso das FER foi de 28,1%, ligeiramente inferior ao conseguido ano anterior, mas superior em mais de 3,5 pontos percentuais aos valores do início da década.