A riqueza gerada diretamente pelas indústrias de base florestal e pela silvicultura é só uma pequena parte do valor da economia da floresta, já que os números não incluem o impacte da biomassa para a criação de novos produtos e geração de energia, do turismo de natureza, da caça e pesca em zonas florestais nem dos denominados produtos florestais não lenhosos, como a castanha, o pinhão, o mel, os cogumelos silvestres ou as plantas aromáticas e medicinais.
De fora da economia da floresta convencional ficam também os contributos menos tangíveis do oxigénio que respiramos, do carbono armazenado, da conservação da biodiversidade e paisagem, da preservação do solo e da água e do valor da floresta como espaço de recreação, desporto e lazer.
É difícil estimar o valor destes serviços ambientais, embora sejam uma preocupação recorrente e histórica na silvicultura. Estas preocupações estiveram até na origem do Regime Florestal de 1901 que decretava, a propósito, “o revestimento florestal dos terrenos cuja arborização seja de utilidade pública, e conveniente ou necessária para o bom regime das águas e defesa das várzeas, para a valorização das planícies áridas e benefício do clima, ou para a fixação e conservação do solo, nas montanhas, e das areias, no litoral marítimo”.
Apesar da dificuldade em quantificar estes serviços dos ecossistemas florestais, algumas investigações têm contribuído para aumentar o conhecimento sobre este tema.
Em 2019, foi feita uma avaliação económica de alguns serviços de ecossistema em paisagens agroflorestais europeias. Uma das conclusões foi, precisamente, que a inclusão de serviços de ecossistema não-comercializáveis aumenta a rentabilidade das paisagens agroflorestais.