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Alterações Climáticas

Qual a capacidade de sequestro de carbono das principais espécies florestais portuguesas?

As florestas plantadas de eucalipto e pinheiro-bravo destacam-se, em Portugal, pela capacidade de sequestrar carbono, tendo em conta os valores disponíveis para as principais espécies florestais. A renovação constante destas espécies (decorrente da exploração) permite a continuidade desta função e um efeito mitigador das alterações climáticas a curto prazo. A longo prazo, a manutenção de florestas de crescimento mais lento permite a acumulação de maior quantidade de carbono no solo.

Sistema florestal Valor médio
(toneladas por hectare e por ano)
Método de cálculo
Montado *1-5 t CO2/ha/ano
ou

0,27-1,88 t C/ha/ano
Fluxo de carbono
Eucalipto*15-32 t CO2/ha/ano
ou

4,1-8,73 t C/ha/ano
Pinheiro bravo*15-26 t CO2/ha/ano
ou

4,1-7,09 t C/ha/ano
Variação de stocks
Montado**3,7-11 t  CO2/ha/ano
ou

1-3 t C/ha/ano
Fluxo de carbono
Eucalipto**Perto de 33 t CO2/ha/ano
ou
9 t C/ha/ano

Fontes: *Relatório sobre a Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment (cap 20)
** O futuro da floresta em Portugal

 

A diferença entre valores (inclusive para a mesma espécie) explica-se, principalmente, pelos diferentes métodos existentes para estimar a quantidade de carbono sequestrado:

– Método da variação de stocks: o carbono na biomassa e/ou solo é medido e/ou estimado em alturas diferentes. A variação reflete a produtividade do sistema.
– Método dos fluxos de carbono ou covariância de fluxos turbulentos: método de medição direta, que reúne consenso científico, para monitorizar o balanço de água e de carbono em ecossistemas terrestres. As trocas de CO2 e outros gases e água entre todo o ecossistema (biomassa aérea das árvores, vegetação e solo) e a atmosfera são medidas em torres de fluxo, nas quais se monitorizam também variáveis meteorológicas.

Além disso, existem também vários diferenciais e especificações para fazer estes cálculos – considerar todos os gases com efeito de estufa ou apenas os mais importantes, considerar ou não o carbono no solo, entrar em consideração com as diferenças no armazenamento de carbono na madeira, troncos e folhas – e unidades diferentes para apresentar os resultados. Apesar de sabermos que uma tonelada de C é equivalente a 3,667 toneladas de CO2, nem sempre é fácil interpretar a literatura disponível.

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