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Floresta Portuguesa

Porque aumentou a presença do eucalipto em Portugal a partir do século XX?

Depois da introdução do eucalipto em Portugal no XIX, foi em meados do século XX que a espécie ganhou expressão na nossa floresta. O aumento da plantação de eucalipto no nosso país surge como resposta ao consumo global de papel, sendo que Portugal se tornou pioneiro na utilização de madeira de Eucalyptus globulus, a espécie que se mostrou mais apropriada para esse fim.

Os primeiros testes remontam a 1906, feitos pela The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, uma empresa inglesa estabelecida em Portugal. Várias inovações com cunho nacional prosseguiram até à década de 60, confirmando que a madeira de E. globulus permitia melhorar a qualidade da pasta e do papel, tornando o produto final mais resistente e opaco. As propriedades químicas e físico-mecânicas da sua madeira permitiram também maior rendimento na produção das fibras de celulose com que se fabrica a pasta de papel e menor utilização de produtos químicos nos processos produtivos.

O eucalipto permitiu dar resposta ao aumento global da utilização de papel que teve, depois da Segunda Grande Guerra, uma procura crescente.

A importância socioeconómica da espécie, associada à produtividade florestal e à boa adaptação do eucalipto em Portugal, tem contribuído para a manutenção da sua relevância e expressão no território nacional. Lembre-se que só a industria de pasta, papel, cartão e os artigos que deles se fabricam em Portugal totalizaram, em 2018, um volume de negócios de mais de 4,5 mil milhões de euros, segundo o INE – Instituto Nacional de Estatística, com 580 empresas dedicadas a gerar mais de 11,8 mil empregos, revela a Direção Geral das Atividades Económicas. A estes indicadores soma-se o contributo do eucalipto para produtores florestais, um valor que não se resume ao valor da madeira, mas à dinamização e criação de emprego em muitas comunidades rurais.

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