Dinâmica Rural
Há uma grande diversidade de solos em Portugal. Infelizmente, grande parte dos nossos solos são delgados e situam-se em terrenos com forte declive e com características geológicas adversas, como o pH baixo e ácido – de lembrar que os solos muito ácidos não são, por norma, favoráveis ao desenvolvimento de plantas, uma vez que a disponibilidade de nutrientes é menor. Estas características podem ser verificadas através da consulta de cartas de declives, espessura do solo e pH, disponíveis em EPIC WebGIS.
Os nossos solos são também pobres em matéria orgânica. Os verões quentes e secos e os invernos frios e chuvosos limitam a acumulação de matéria orgânica e favorecem a sua decomposição, refere o dossier técnico do INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária sobre “A matéria orgânica do solo”. A utilização de práticas desadequadas reduz a fertilidade do solo e aumenta os riscos de erosão.
Grande parte do país encontra-se suscetível à desertificação, segundo o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação. Nas causas apontadas para esta situação inclui-se a intensificação das culturas agrícolas, a contaminação do solo por pesticidas e fertilizantes, a erosão, as alterações da paisagem e os problemas socioeconómicos que afastam as pessoas do interior e promovem a perda de biodiversidade e os incêndios recorrentes.
Destes fatores resulta que a maioria do território tenha pouca capacidade de fornecer os nutrientes necessários ao crescimento do coberto vegetal.
Uma análise à carta de capacidade de uso do solo mostra que os solos com maior capacidade de produção ocupam pouco mais de 4% da área total e estão restringidos aos chamados Barros, como os de Beja, e às zonas de aluvião adjacentes a linhas de água. São chamados solos de classe A, de acordo com o Decreto-Lei n.º 73/2009. No outro extremo, temos os solos de classe E, “que têm uma capacidade de uso muito baixa, não suscetíveis de uso agrícola, podendo destinar-se a vegetação natural ou floresta de proteção ou recuperação”, ainda segundo o Decreto-Lei. São estes os solos da maior parte do nosso país.
História
A floresta portuguesa ocupa hoje mais de um terço do território português, uma área quase quatro vezes superior à do início do século XIX. As florestas primitivas de carvalhos desapareceram, sendo a floresta atual maioritariamente plantada. As alterações resultam da ação humana sistemática sobre o território, associada aos grandes fatores socioeconómicos que marcaram a dinâmica rural e a história portuguesa nos últimos 200 anos.
Espécies Florestais
Característica dos ecossistemas mediterrânicos e plantada nesta vasta região desde tempos remotos, a alfarrobeira (Ceratonia síliqua L.) está atualmente presente num conjunto mais alargado de países de verões quentes e invernos pouco rigorosos, como os EUA (Califórnia), a Austrália e a África do Sul.