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Indicadores Florestais

Produtividade florestal e diversidade: o perfil único da floresta portuguesa

Com valores elevados de produtividade potencial e uma das maiores percentagens de floresta protegida na Europa, as florestas portuguesas apresentam características favoráveis à produção e habitats diversos que importa proteger.

Os recursos naturais da região mediterrânica permitem que esta seja um hotspot de biodiversidade e um dos habitats naturais mais ricos do mundo. O clima – caraterizado por temperaturas amenas, invernos com chuva e verões quentes e secos – possibilita períodos de crescimento prolongados que levam a que a produtividade florestal potencial seja elevada. Pela sua posição geográfica, os ecossistemas florestais portugueses destacam-se pela sua produtividade e matriz de biodiversidade.

Como consequência destas circunstâncias favoráveis, várias espécies florestais plantadas no nosso país, como o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), pinheiro-manso (Pinus pinea) ou o eucalipto (Eucalyptus globulus) em Portugal Continental, ou a criptoméria nos Açores (Cryptomeria japonica), apresentam valores elevados de produtividade florestal potencial.

Produtividade primária líquida (PPL) dos ecossistemas europeus

Fonte: Foley, J.A., I.C. Prentice, N. Ramankutty, S. Levis, D. Pollard, S. Sitch, and A. Haxeltine, An Integrated Biosphere Model of Land Surface Processes, Terrestrial Carbon Balance and Vegetation Dynamics, Global Biogeochemical Cycles, 10, 603-628 (1996)

Produtividade florestal média por espécie, em Portugal
(m3/ha/ano)

22% de floresta protegida em Portugal

A diversidade da floresta faz com que Portugal seja o quarto país europeu com maior percentagem de floresta protegida: cerca de 22%, atrás da Itália (33%), Alemanha (29%) e Liechtenstein (26%), segundo o relatório State of Europe’s Forests 2015.

Na sua maioria, a floresta protegida está integrada na Rede Natura 2000 e na Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP). Refira-se que 18,7% da floresta nacional está inserida no Sistema Nacional de Áreas Classificadas e 5,5% no RNAP, de acordo com o 6.º Inventário Florestal Nacional (IFN6), referente a 2015.

Biomassa arbórea e carbono armazenado por espécie florestal
2005 / 2015

Biomassa total em 2005: 152,5 Mt

Biomassa total em 2015: 186,0 Mt

Carbono armazenado total em 2005: 279,5 Mt CO2e

Carbono armazenado total em 2015:333,9 Mt CO2e

Segundo o relatório de Caracterização da Fileira Florestal de 2014 da AIFF – Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal, as áreas florestais ocupam ainda 35% das Zonas de Proteção Especial (ZPE – Diretiva Aves) e 47% das Zonas Especiais de Conservação (ZEC – Diretiva Habitats), classificação efetuada no âmbito da Rede Natura 2000.

O Relatório Completo (2019) do IFN6 destaca que 20% dos pontos de amostragem localizados em floresta são habitats e 14% apresentam um bom estado de conservação. De realçar que a identificação de habitats ocorre para além das áreas classificadas com estatuto de conservação, de acordo com a Diretiva Habitats. Alguns dos mais representados são os montados de sobro e azinho (habitat 6310), os bosques de sobreiro (habitat 9330), os carvalhais (habitat 9230) e os azinhais (habitat 9340).

Por espécie, os povoamentos de pinheiro-bravo são os que concentram uma maior área na Rede Nacional de Áreas Protegidas: 51 mil hectares (o que corresponde a 7% da área total da espécie). Seguem-se a azinheira, com 25 mil hectares (7% da área total da espécie), e o eucalipto, com 18 mil hectares (2% da área total). Os dados são do 6.º Inventário Florestal Nacional.

As florestas portuguesas – quer sejam de conservação ou de produção – têm também um papel importante a desempenhar em termos de ação climática, devido à capacidade de sequestro de carbono dos ecossistemas florestais. Nesse sentido, o relatório sumário do IFN6 destaca o pinheiro-bravo como a espécie florestal com maior acumulação de biomassa total e, por consequência, maior quantidade de carbono armazenado. Seguem-se os eucaliptos e os sobreiros.